Claytom Valle - Mitikas

É inegável que o mundo muda o tempo todo, mas não é possível, por maior que seja nossa torcida, que tudo mude sempre pra melhor. Então vem a pergunta: neste mundo dominado pelas redes sociais, é mais fácil ser líder hoje em dia ou os mesmos desafios do passado continuam sendo obstáculo? Como anda a liderança nesses novos tempos?

Liderança é inspiração

A história da humanidade está repleta de exemplos de bons líderes, e para isso eles usaram mais instinto do que teorias. Para os que querem ou precisam de ajuda, a boa notícia é que muito já foi dito sobre liderança desde que alguns autores começaram a escrever sobre o tema. Já a má notícia é que ler tudo a respeito de liderança não garante que a pessoa se torne um bom líder. Como expôs Parry (1996), competência é Conhecimento, Habilidade e Atitude (CHA). Então, além da teoria (C) e de sua aplicação prática (H), é preciso ter a atitude (A) correta para com os liderados, de forma sincera, honesta e inspiradora. E inspiração é a base da influência que o líder exerce:

“Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem comum.”
James Hunter – O Monge e o Executivo

Liderar é saber se comunicar e cobrar desempenho

Quantas vezes já nos deparamos nesta ou naquela empresa, ou mesmo em situações fora do ambiente de trabalho, com líderes de verdade, que conseguem fazer suas equipes se engajarem com entusiasmo em uma só direção? Tais líderes têm a habilidade de se comunicar de forma não violenta, mesmo sem ter estudado a teoria criada por Marshall Rosenbergh. Sabem como dar e receber feedback, inclusive ensinando isso à equipe. E por mais competentes que sejam, não são centralizadores e seguem estratégias eficazes para delegar tarefas com maestria.

Esses ou essas líderes sabem o que querem e transmitem suas ideias de modo claro e objetivo, compartilham sua visão e deixam claro quais resultados devem ser alcançados. Na medida em que promovem o desenvolvimento de seus liderados, líderes assim buscam a excelência e exigem em troca o bom desempenho de todos, sem jamais abrir mão de sua responsabilidade sobre o que é alcançado.

“É impossível, para um líder, ter sucesso sem que sua equipe o tenha. Uma equipe com 

desempenho constantemente fraco não tarda a ganhar um novo líder”.
Dick Brown

Planejamento e iniciativa

Organização e planejamento com metas claras são essenciais para aumentar as chances de sucesso e isso não tem nada a ver com sorte. Mais do que buscar a excelência nos resultados, o líder deve criar oportunidades e estar preparado para elas. Mesmo que para isso seja necessário tomar decisões que impliquem em correr riscos calculados.

Cada um com seu estilo

Naturalmente que não existe apenas um estilo de liderança, mas é possível dizer que não existe apenas um caminho. Para Caroline Marcon, gerente do Hay Group, “acima de tudo, o líder perfeito tem de ser autêntico”.  E ser autêntico pode significar variar o estilo (Coercitivo, Dirigente, Afetivo, Democrático, Modelador ou Treinador) de acordo com a situação. Afinal cada um tem seus prós e contras.

Já William Blake e Jane Mouton criaram o conceito em forma de gráfico do Grid Gerencial. Nele a preocupação com as pessoas é representada por um eixo e a preocupação com os processos por outro. Assim, focar pouco nas pessoas e muito no processo denotaria o estilo “9.1“. Em resumo, o ideal no Grid é ser “9.9” (“nove nove”), é focar ao máximo nas pessoas e também no processo.

“Liderança parece ser a arte de fazer com que os outros desejem 
fazer algo que você está convencido de que deve ser feito”.
Vance Packard

Liderar é preciso

Respondendo a pergunta inicial, eu diria que, mais do que nunca, os bons líderes são apreciados e muito desejados nos dias de hoje. Pois justamente porque o mundo mudou, os desafios aumentaram. Mais do que nunca as equipes precisam do máximo de ajuda possível e isso apenas bons líderes conseguem dar. Líderes que consigam agir conforme o que James Kouzes e Barry Posner chamaram, na década de 90 do século passado, de principais práticas e comportamentos de liderança:

  1. Desafiar o processo;
  2. Inspirar uma visão compartilhada;
  3. Capacitar os outros a agir;
  4. Modelar o caminho pelo exemplo;
  5. Encorajar as emoções.

“Não administre; lidere”.

Jack Welch

O mundo precisa cada vez mais de líderes que apliquem o que James McGregor chamou de “Liderança Transformadora” (“Leadership“, 1978) e que teve seu significado ampliado por Bernard Bass (“Leadership and Performance Beyond Expectations“, 1985). Sim, muitos dos conceitos permanecem válidos, porém num mundo mais complexo e desafiador. Por isso a tarefa de liderar parece não ser para todos. Mas, com toda certeza, todas as equipes anseiam por líderes de verdade, dentro ou fora de “caixas” em organogramas, apontando o caminho a ser trilhado.

Claytom Valle é Master Coach Executivo e Coach de Negócios. Ajuda executivos de todos os níveis a melhorarem suas competências de liderança trabalhando com eles suas atitudes e motivações.