A necessidade de transformação digital nas empresas impulsionou a procura por profissionais de tecnologia, principalmente desenvolvedores, cientistas e engenheiros de dados, e especialistas em cibersegurança. Juntas, quatro companhias ouvidas pelo Valor somam mais de 800 vagas em aberto nas áreas de desenvolvimento de software, produtos e experiência do usuário (UX, em inglês).

Encontrar pessoas qualificadas na área é um desafio constante. Estimativa da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) aponta que o mercado forma 46 mil profissionais por ano, mas seriam necessários 70 mil para suprir a demanda das empresas. Hoje, o setor emprega 1,56 milhão de pessoas no país.

Na GeekHunter, plataforma de recrutamento e seleção especializada em contratação de programadores, a quantidade de posições abertas dobrou entre março e setembro, com volume três vezes maior de contratações no período. “O recrutamento de profissionais de tecnologia, especialmente desenvolvedores, sempre foi concorrido porque tem um gap de formação em relação à demanda por profissionais”, avalia Tomás Ferrari, CEO e cofundador da startup, que soma 120 mil profissionais e 6.900 empresas cadastradas.

A corretora Easynvest, com 450 funcionários, está com cem vagas em aberto, sendo 70% delas na área de tecnologia. São oportunidades para desenvolvedor ‘front-end’, ‘back-end’ e cientista de dados, e cientista de dados, por exemplo. Durante a pandemia, a instituição passou a contratar profissionais de diversas regiões do país, conta Camilla Suave, head de recursos humanos da Easynvest, que chegou à empresa em julho.

A corretora aposta em formação de profissionais dentro de casa. Nos próximos meses, vai realizar um programa para capacitar mulheres desenvolvedoras, principalmente aquelas em situação de vulnerabilidade. “Não tem profissional de tecnologia suficiente para todo mundo. Só continuar disputando não basta”, diz Camilla. Segundo ela, outro caminho para encontrar profissionais qualificados é se aproximar de comunidades e grupos de tecnologia.

A empresa de tecnologia BRQ Digital Solutions, que emprega atualmente 3.000 pessoas, contratou 1.100 profissionais somente este ano. E não parou – tem cerca de 300 posições em aberto, principalmente para atuar com soluções mobile. Outra demanda grande é por pessoas em business intelligence (BI) e analytics, afirma Carolina Piombo, head de recursos humanos da empresa.

Neste ano, a companhia montou um programa de capacitação para mulheres interessadas na área de desenvolvimento de software. A empresa também oferece treinamentos técnicos, em parceria com a plataforma de cursos on-line Alura. Outra forma de atrair talentos é buscar indicações dos próprios funcionários, além de firmar acordos com faculdades e escola de tecnologia.

Na Tivit, multinacional de TI com 6.400 empregados, há cerca de 200 vagas em aberto, a maioria para desenvolvedores, cientistas de dados, profissionais de experiência do usuário (UX), “scrum master” e gerente de produtos. Desde o início do ano, a companhia contratou cerca de 600 pessoas, aponta Wander Cunha, diretor da unidade de negócios digitais da Tivit.

Segundo o executivo, foi preciso montar uma equipe com profissionais especializados em recrutamento em tecnologia, os chamados ‘tech recruiters’. “Estamos lançando uma área nova de cibersegurança, e é uma área que exige um grau de especialização muito alto”, conta. Durante a pandemia, a empresa também ampliou o investimento em formação de desenvolvedores. A primeira turma reuniu 50 pessoas e outra está prevista para os próximos meses.

Desde o começo do ano, a multinacional alemã GFT, com 1.350 funcionários no Brasil, contratou em torno de 600 profissionais e possui mais de 200 vagas em aberto. “Os perfis são variados: devs em tecnologias como Java, full-stack, ‘agile coach’, ‘scrum master’, profissionais de arquitetura”, explica Fernanda Santos, diretora de RH da GFT Brasil. A empresa também acaba de contratar 50 estagiários, que serão formados nas linguagens.NET e Java.

Conteúdo: Valor Econômico